Gestão de Projetos e as Eleições Brasileiras

Ao longo do tempo, as eleições brasileiras passaram por muitas mudanças – todas buscando a integridade da manifestação do cidadão brasileiro. O processo de evolução foi, e continua sendo, bastante dinâmico: a cada pleito eleitoral, o sistema eletrônico de votação torna-se melhor, mais robusto e seguro, ao ponto de, hoje, sustentarmos o título da maior eleição informatizada do mundo.

 

A Justiça Eleitoral Brasileira fez grandes feitos: criou o cadastro único de eleitores em 1985, informatizou a totalização das eleições em 1994, criou a urna eletrônica em 1996, realizou a primeira eleição totalmente informatizada em 2000, testou o voto impresso em 2002, implantou a votação paralela e os procedimentos de demonstração dos sistemas e a lacração com assinatura digital em 2004 e realizou o referendo do desarmamento em 2005. Em 2008, criou seu próprio sistema operacional Linux para urna eletrônica, divulgou os boletins de urna na Internet e iniciou o uso da biometria na identificação do eleitor. Em 2009, executou testes abertos de segurança dos sistemas eleitorais, adaptou a urna eletrônica para utilização de certificação digital e, em 2010, possibilitou o voto em trânsito nas capitais e também o voto do preso provisório.

 

No começo, empiricamente, a Justiça Eleitoral já adotava as melhores práticas de gestão de projetos com o registro das lições aprendidas e com a delegação dos projetos para grupos de trabalhos matriciais, compostos por representantes dos TREs. Ao final de cada eleição, é realizada uma avaliação. A partir daí são propostas soluções para os eventuais problemas ocorridos – lições aprendidas – e é iniciado o planejamento da próxima eleição.

 

A cada dois anos, ciclos completos de melhoria contínua (PDCA) são realizados: a eleição é planejada (Plan), executada (Do), monitorada, medida e avaliada (Check) e aprimorada (Act).

 

O marco histórico da prática de gestão efetiva de projetos no Tribunal Superior Eleitoral ocorreu em 2006 com a criação do Escritório de Projetos na Secretaria de Tecnologia da Informação, que teve, entre suas atribuições convencionais, a missão de difundir a cultura de gestão de projetos em toda a Justiça Eleitoral.

 

O business da Justiça Eleitoral é algo muito específico e não há nada semelhante no mercado ou no próprio governo, não há sequer literatura sobre o tema. O aprendizado é adquirido somente com a experiência.

 

Assim como o PMBook consolidou as melhores práticas, a implantação da gestão de projetos fortaleceu aquelas existentes na Justiça Eleitoral. Com o desenvolvimento de uma metodologia própria alinhada às melhores práticas preconizadas pelo principal compêndio do PMI, encontramos o terreno fértil e propagamos a gestão de projetos no âmbito da Justiça Eleitoral Brasileira, abrangendo todas as suas instâncias por meio dos tribunais regionais eleitorais.

 

Hoje o Programa Eleições é composto por 49 projetos e 34 testes simulados; 34 gerentes de projetos estão envolvidos; e, no dia das eleições, mais de 2 milhões de pessoas atuam em 400 mil pontos de votação para atender quase 136 milhões de eleitores em um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, inclusive na grande Amazônia que nos impõe enormes desafios de logística.

 

Diante deste cenário, quando se observa um fato surpreendente, como a apuração de 600 mil votos por minuto e divulgação do resultado das eleições a menos de 4 horas após o encerramento da votação, é fácil compreender que por trás de toda a eficiência e eficácia demonstradas no processo eleitoral, se respira, se vive e se pratica uma gestão efetiva de projetos.

 



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