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O primeiro dia do 18º Encontro de Gerenciamento de Projetos do PMI-DF trouxe assuntos inovadores e reforçou tendências de relacionamento para a gestão empresarial. Sob o tema “O impacto da Transformação Digital no Gerenciamento de Projetos”, o encontro está programado para acontecer nos dias 22 e 23 de novembro, no San Marco Hotel em Brasília, e conta com a participação de vários profissionais por meio de palestras, workshops, debates, apresentações de cases e coaching para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Coaching

Wang Hsiu Ching deu abertura ao evento, ela que é coaching e membro do Conselho Fiscal na ICF (Capítulo Distrito Federal) – International Coaching Federation abordou sobre a importância do desenvolvimento de novas competências para se ter empregabilidade. Para Ching, o mercado atual pede pessoas que não tenham apenas conhecimento técnico, mas também, e talvez, principalmente, habilidades humanas. Em uma enquete digital realizada durante a palestra, os participantes mostraram que os maiores problemas no dia a dia dos profissionais de projetos são ausências de soft skills, ou seja, competências relacionadas à inteligência emocional, como proatividade, comunicação, empatia e disciplina. Diante das características relatadas, Wang afirmou que as mudanças devem começar pelas pessoas, pois o ser humano é um grande diferencial a ser explorado.

 

Impactos da Transformação Digital

Caracterizada por mudanças abruptas e radicais, as revoluções industriais provocam enorme impacto na vida das pessoas e nas sociedades, alterando seu modo de relacionamento e desenvolvimento. O Sócio-diretor da SPI Integração de Sistemas Élcio Brito trouxe à tona a nova realidade que o mundo está passando com a Revolução 4.0 e alertou sobre a importância de se preparar para se adaptar a esse mundo.

A revolução 4.0 teve início há alguns anos e já em 2013 mostrou sua força com o advento das impressoras 3D. O movimento tem como principal característica a integração do mundo biológico com o mundo físico, em uma sinergia que elimina os limites. Baseada em um conjunto de tecnologias disruptivas que podem ser traduzidas por temas como inteligência artificial, robótica colaborativa, biotecnologia entre outros termos modernos.

Na área de negócios, esse fim de limites entre “mundos” também é transformador. Élcio afirma que é preciso ser mais flexível em todos os processos para se adaptar a essas mudanças, pois a transformação digital está em tudo e ocasiona a integração entre pessoas e máquinas. O surgimento das startups é uma das respostas a esse processo, em que são identificadas necessidades e criadas soluções inovadoras, que passam por cima de produtos tradicionais.

Abordando um outro lado importante que é consequência do movimento da transformação digital, o palestrante Eduardo Freire questionou sobre em que realmente se dá essa mudança. Seria uma transformação ágil, digital ou mental? Freire trouxe um lado que foi muito comentado durante o encontro que é o lado humano no processo de mudança.

Ao gerenciar projetos, sem dúvida estão envolvidos diversos recursos humanos, que devem ser vistos como a base de todo o trabalho a ser desenvolvido e por isso mesmo devem receber uma carga de atenção especial. “Um gestor tem que conhecer sua equipe, tratar a cada um de forma individual no meio da coletividade”, afirmou Eduardo. A empatia e a colaboração de todos devem ser características presentes nas equipes. Outro fator importante ao montar seu time de trabalho é procurar contratar pessoas criativas, que tenham iniciativa, o que complementa a orientação de Wang quanto às características da empregabilidade.

Seguindo essa linha de mudanças gerenciais e que tem como principais atores as pessoas envolvidas em todo esse processo, o Coronel do exército Edson Ribeiro contou como eles sentiram a necessidade de melhorar seus processos e o que foi feito.

Após pesquisa sobre as metodologias de gestão de projetos e em como outras instituições estavam trabalhando com o assunto, eles reuniram as características que melhor se adequavam à sua realidade e transformaram o modo de gerenciamento de projetos no exército. “Para implantar novo portfólio era preciso conquistar corações e mentes”, com essa afirmação o Cel. Edson percebeu que era necessário apoio dos decisores, respeito à cultura institucional, transformação de obstáculos em desafios, comunicação, capacitação e apoio às equipes, isso tudo em uma organização com mais de 200 mil pessoas envolvidas.

Utilizaram toda essa nova mentalidade gerencial para realinhar os trabalhos e aplicaram também na execução e manutenção de seus programas de defesa cibernética. Segundo o Coronel, o Brasil é o terceiro país do mundo em sofrer ataques cibernéticos e o Centro de Defesa Cibernética do exército não só protege como combate tais ações. Antes das referidas mudanças de gestão, havia excelentes iniciativas, mas todas fragmentadas, eram visíveis os diferentes níveis de maturidade.

Atuando também na linha de gestão no acompanhamento da execução de tarefas e atividades, Peter Mello Co-fundador da Dyress Corp e Product Manager for Brisk PPM, apresentou a Dynamic Resource Scheduling – DRS, ou o Agendamento Dinâmico de Recursos, uma ferramenta de inteligência artificial que auxilia na redução de custos e prazos.

Desenvolvido por ele, a ferramenta tem como base a união de métodos conhecidos de gerenciamento de projetos e utiliza essa base para organizar o trabalho das pessoas com inovação e tecnologia. O agendamento dinâmico atua sobre informações previamente inseridas a respeito da equipe como conhecimentos, habilidades, disponibilidades, entre outros e faz uma realocação de tarefas que poderiam estar se acumulando ou atrasando se direcionadas manualmente a uma única pessoa. O processo de atribuição de trabalho é digital, mas pode ser ajustado manualmente. Por meio de estudo do melhor caminho é possível desenvolver estratégias que reduzem o tempo de execução e com isso melhoram prazos de entregas e custos gerais.

A transformação digital também foi mostrada em case da Caixa Econômica Federal, apresentado por Tibério Zortea que é Gerente Nacional - GT Agência Digital / CEF. Tibério contou como foi o processo de implantação das agências digitais em um curto período de tempo. Segundo Tibério, a transformação digital promove acessibilidade, escalabilidade, melhores condições de uso e qualidade para empregados e clientes.

As agências digitais da CEF estavam relativamente atrasadas em seu desenvolvimento se comparadas a outros bancos. Tibério conta que ganharam tempo com o uso da metodologia Ágil mas que só foi possível com um trabalho forte com as equipes envolvidas, atuando com disciplina e transparência. 23 versões foram testadas em 11 meses de ágil. Hoje, possuem 73 agências digitais, mas se preparam para ter 100 agências ainda em 2018.

Diversidade

A diversidade social foi mais um importante tema exposto ao público, mais precisamente sobre questões que envolvem a equidade de gêneros dentro das organizações. Em uma rápida conversa, Annelise Gripp, Luciana Freitas e Sephora Lillian apresentaram números e situações reais sobre o preconceito ainda hoje sofrido pelas mulheres no ambiente profissional. Segundo Annelise muitas pessoas sofrem da síndrome do impostor, situação em que elas julgam a si próprias como desmerecedoras de crédito, incapazes de ter sucesso. Dentro desse quadro estão várias mulheres que colocam a vida familiar em primeiro lugar e não conseguem se projetar na carreira profissional.

Nesse cenário, junto com a transformação digital devem vir a transformação de ambientes e de pessoas de modo a igualar gêneros e outras formas de discriminação, gerando oportunidades. A cultura organizacional é um ótimo caminho para se iniciar essas mudanças e obter uma visão de mundo mais equilibrada.

E assim foi finalizado o primeiro dia do 18º Encontro de Gerenciamento de Projetos: com muito conteúdo importante, muita discussão e envolvimento do público sobre assuntos impactantes para suas carreiras em um momento atual e como preparação para o futuro. Agora é recarregar as energias para enfrentar o segundo dia de muita carga e conhecimento para os gestores de projeto.