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Em continuidade ao 18º Encontro de Gerenciamento de Projetos do PMI-DF, o segundo dia de evento teve emoção com apresentação de cases, técnicas de gerenciamento para projetos de inovação e muita discussão e levantamento de ideias sobre o futuro da profissão de Gerentes de Projetos diante do momento de transformação digital pelo qual passa a sociedade.

Cases

Fernando Oliveira, gerente de projetos da Embraer envolveu a todos em sua apresentação de implementação de projetos dos aviões E2. Ele contou sobre o momento de desafio quando a primeira geração desses aviões sofreu uma baixa de vendas, após ter até 50% do mercado nas mãos, ao serem lançados pela concorrência motores até 15% mais econômicos. A Embraer decidiu agir e começou com a análise de gestão de benefícios. O novo modelo de aeronave deveria ter custo competitivo, performance balanceada, impacto ambiental reduzido, excelência em produto entre outras metas.

Em tempo recorde, levaram 5 anos para finalizar o projeto, o que em média é concluído em 8 anos, lançaram o E2, um produto que bateu todas as metas previstas e ainda conseguiram três certificados pela qualidade das aeronaves.

“Metodologias simples, ideias simples funcionam em projetos grandes”, dessa forma Fernando defendeu a descomplicação de procedimentos na execução do projeto. Para garantir a entrega dentro do prazo, o gerente de projetos da Embraer ainda afirmou que trabalhar com buffer foi uma ótima experiência onde todos puderam fazer mais em menos tempo. O resultado é o reconhecimento e o sucesso que o E2 já possui.

Outro case apresentado no encontro também foi uma resposta a ameaças do mercado externo. Trata-se da renovação pela qual os Correios passaram para se reafirmarem no mercado de entregas. Quem apresentou o caso foi Hudson Silva, chefe do Departamento de Estratégia e Inovação dos Correios.

Com a meta de “ser a escolha número 1 dos clientes” a instituição decidiu enfrentar problemas como dificuldade econômico financeira, baixos índices de qualidade, insatisfação dos clientes e queda brusca das receitas. A transformação começou com a mobilização de todos os mais de 106 mil funcionários por meio de vídeo onde mostravam a importância de cada um nesse processo.

A meta era voltar a ter rentabilidade, excelência operacional e crescimento e seu impulsionador foi a implantação de gestão de projetos com foco em competências, alinhamento estratégico, metodologia de gestão própria, governança e estrutura de escritório de projetos. Os clientes perceberam a diferença das ações e os funcionários se motivaram ainda mais com os resultados obtidos. Hoje 87% dos brasileiros confiam nos Correios sendo que em 2018 atingiram 99,07% de qualidade nos serviços.

Disrupção

Em termos de projetos inovadores Marsal Melo trouxe técnicas de identificação e gerenciamento de projetos disruptivos. E o que seriam projetos inovadores? Segundo Marsal, são aqueles que trazem produto ou serviço novo ou modificado substancialmente e que devem gerar valor para a empresa.

Para promover a inovação as empresas devem começar desmanchando “departamentos de inovação” e devem proporcionar um ambiente criativo em toda a empresa. É preciso um processo estruturado que estimule a inovação sendo que todos devem estar conectados ao mercado. Ao ser criado um projeto ele passa por uma análise de critérios estratégicos e validação de ideias e objetivos, pois deve estar de acordo com os planos da empresa.

Por meio do uso de Design Sprint os projetos são avaliados para serem classificados como tradicionais ou inovadores. Marsal ensina que os projetos inovadores devem ser feitos o mais longe possível da empresa para não serem “contaminados” por regras tradicionais de criação e trabalho.

Transformação digital e a profissão de gerentes de projetos

Em uma conversa dinâmica e animada Alysson Ribeiro foi o facilitador do Fishbowl que aconteceu no evento. A transformação digital foi o tema mais abordado na conversa, que teve como estrelas os próprios participantes do encontro. As contribuições giraram em torno de opiniões sobre o futuro das empresas, pessoas e dos próprios gerentes de projeto nesse momento de mudanças. Para a grande maioria, é consenso que o importante é se adaptar e buscar conhecimento, não esperar a “moda” passar porque ela veio para ficar.

Especificamente na carreira do gestor de projetos, não importa o método utilizado em sua empresa, o essencial é valorizar as pessoas envolvidas e começar a derrubar a cultura de resistência às mudanças. Para alguns essa implementação deve vir dos postos mais altos da organização, para outros a inciativa é de baixo para cima, sendo os mais jovens os principais atores nesse processo.

Ainda sobre o impacto da transformação digital para o gestor de projetos, em sua palestra Alex Urbano, presidente do PMI-SP abordou o tema e questionou se estariam todos prontos. Para ele o futuro já chegou e a forma como trabalhamos será modificada drasticamente. Quanto mais transformações digitais houver mais disruptivos seremos pois essa é uma consequência do movimento. 

Alex ressaltou a importância de estar atento aos riscos cibernéticos, fato que vem junto com toda essa transformação pois estamos todos cada vez mais conectados, o que aumenta nossa vulnerabilidade.

Quanto às organizações, essas precisarão se estruturar com mix de projetos e skills diferentes através de design thinking, leans, Ágil, entre outros. Nesse cenário transformador, a robotização é cada vez mais viável em trabalhos manuais e repetitivos, mas será mais difícil substituir por máquinas as profissões ligadas ao conhecimento.

Cristina Leal que é Superintendente de Gente e Gestão reforçou a importância da atualização das empresas a respeito da transformação digital. Ela afirmou que muitas empresas ainda trabalham com modelo de gestão de organograma, implementados há mais de 50 anos. “O Brasil ainda é um país que investe pouco em inovação, o mundo corporativo não acompanha”, relatou a palestrante sobre o atraso nacional quanto a essas mudanças.

Para ela o líder da 4ª revolução industrial deve criar o futuro, trabalhando o hoje e o amanhã; deve pensar BOLD, ou seja, de modo ousado, atrevido; precisa construir propósitos transformadores de massa, soluções para muitas pessoas; deve tomar os riscos e sempre ter um plano B; deve acompanhar e entender as novas tecnologias; focar no cliente; fazer grandes perguntas e conectar situações e fatos. Cristina ressalta que a transformação digital tem muito mais a ver com pessoas do que com máquinas.

Assim também pensa Alexandre Travassos, um dos membros fundadores do PMI-DF, quando disse que a transformação digital está relacionada com o posicionamento de cada um para que no final “dê certo”. “Os protagonistas são os seres humanos”, afirmou Travassos.

As informações do mundo podem dobrar em apenas uma noite. Destaca-se quem sabe lidar com tantos dados. Nesse sentido, empresas como AirBnB e Uber se destacaram com o uso de plataformas, que são um novo modelo de negócio onde dados devem ser explorados pelas empresas, lembrando que as soluções digitais devem trazer benefícios e valores. Para Alexandre “devemos ser digital para conduzir a transformação e não sermos levados por ela, pois nossas decisões de hoje influenciarão o futuro do mundo”.

Extasiados. Atentos. Mais experientes. Mais preparados. Dessa forma o público do 18º Encontro de Gerenciamento de Projetos do PMI-DF finalizou esse grandioso encontro, enriquecidos por ensinamentos e experiências compartilhadas por pessoas realmente conceituadas na profissão de Gerentes de Projetos. E após esse enorme sucesso o PMI-DF já se prepara e convida a todos para o XV Congresso Brasileiro de Gestão, Projeto e Liderança, que será sediado em Brasília em 2020! Serão alguns dias de uma programação muito especial e que já está sendo pensado com muito carinho. Esperamos todos vocês!

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 Próximos eventos. Inscreva-se!

Ana Palu estará no 18º Encontro de Gerenciamento de Projetos.

Ela também apresentará em Brasília, nos dias 24 e 25 de outubro, o workshop "Como fazer anotações visuais"!

Veja o vídeo abaixo e inscreva-se clicando aqui!

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